O Colégio

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O COLÉGIO NOSSA SENHORA DA GRAÇA, fundado em 1929, constitui-se parte integrante do INSTITUTO DAS DAMAS DA INSTRUÇÃO CRISTÃ, de origem belga, presente nos continentes americano, europeu e africano.

O Instituto foi fundado no ano de 1823 por Madre Agathe Verhelle, com a finalidade de evangelizar os jovens através da educação da fé, expressa em seu Carisma: REVELAR A FACE ATUAL DO CRISTO EDUCADOR.

Como resposta aos apelos de Deus através da Igreja um grupo com oito religiosas e uma leiga, após três meses de viagem, chegam ao Brasil a 15 de outubro de 1896.

Desembarcam no Porto do Recife e seguem para Olinda, estabelecendo-se no Convento de São Francisco, sob a orientação da Superiora Madre Loyola Steyaert. No ano de 1921 transferem-se para o Recife, em Ponte D’ Uchôa, onde é hoje a sede da Província Damas no Nordeste e o Colégio Damas, primeiro do Brasil.

O Revmo Cônego Américo Pita, Vigário da Paróquia da Vitória de Santo Antão, em 1928, solicitou ao Sr. Arcebispo de Olinda-Recife, D. Miguel de Lima Valverde, a fundação de um Colégio do Instituto das Damas da Instrução Cristã na sua cidade.

Vitória de Santo Antão, é uma cidade situada a 61km do Recife, na zona açucareira do nordeste, cujo nome reflete a vitória das forças pernambucanas sobre os invasores holandeses, no Monte das Tabocas, em 1645.

O Sr. Arcebispo apresenta a Me. Loyola o pedido do Vigário de Vitória. Pedido este que se torna matéria para inúmeras interrogações, pois já tinham sido fundados três colégios no Estado de Pernambuco, o Colégio Damas-Recife, o Colégio Santa Sofia-Garanhuns, o Colégio Santa Cristina-Nazaré da Mata.

A insistência, porém, do Cônego Pita, iluminada pelas constantes e fervorosas orações não permitia uma recusa. Madre Loyola solicitou a permissão à Casa Mãe na Bélgica sugerindo que a resposta fosse via telegrama. D. Miguel acrescentou com sua maneira peculiar de ser, que dissessem também que a resposta deveria ser SIM.

A resposta chegou ostentando o SIM tão desejado. O Senhor Arcebispo se rejubilou! No dia seguinte o Cônego Pita foi a Ponte D’Uchoa propor um encontro na cidade e acrescentava: “não percamos tempo!”.

No dia 23 de julho de 1928, no trem das 6h20, a Madre Loyola e sua assistente, a Madre Maria Alphonse Cloes, dirigem-se à cidade da Vitória. Na estação encontraram o Cônego Pita, o Sr. Trajano e família e representações da Congregação das Filhas de Maria e dos Santos Anjos.

O acolhimento foi o mais cordial possível! Dirigiram-se à casa do Sr. Trajano onde um excelente café esperava as visitantes. Após o café foram à Igreja do Livramento e à casa do Dr. Barros ocupada pela família Valois. Todas as construções eram bonitas, firmes, bem acabadas. Impressão muito favorável! O importante, no entanto, era encontrar o lugar onde pudesse dizer: “aqui será o colégio!”.

Os interessados asseguravam que a nova fundação teria aceitação geral da população que saberia valorizar o esforço das religiosas e se mostrava feliz em receber uma educação primorosa como as Damas sabiam realizar, tão apreciadas na própria Capital do Estado. Por outro lado, as religiosas mostravam um desejo imenso de entrar em contato com a população simples de uma cidade do interior, bastante desenvolvida e ávida de receber um melhor conhecimento de Deus e do saber.

Trocaram muitas idéias! Uma simpatia recíproca! Agora eram só os pormenores e… mãos à obra.

Depois do almoço, o Cônego Pita, levou-as à Matriz, a fim de que pudessem apreciá-la em todos os seus detalhes. Construída pelos Capuchinhos é um belo e vasto templo. A Madre Alphonse não perdia ocasião de anotar todos os detalhes; datava do século XVII e já tinha passado por algumas reformas. Possuía um estilo eclético representante do Neoclacissismo que chegara ao Brasil naquela época.

Um olhar atento sobre suas colunas, seus capitéis e cornijas da nave central, sua abóbada anular da Capela Mor, suas belas imagens, faziam-na um dos mais bonitos templos de Pernambuco. É uma vasta Igreja com seis altares laterais. Seu Padroeiro também ostentava singularidade, é a única Matriz do Brasil cujo Patrono é Santo Antão.

Saíram para visitar as casas que poderiam abrigar o futuro Colégio Nossa Senhora da Graça. Percorreram de carro toda a cidade, mas não conseguindo encontrar um lugar adequado para a fundação concluíram que era preciso dispor de mais tempo para escolher um lugar que garantisse a continuidade da missão em tempo futuros.

Depois da ceia foram à casa do Coronel Verçosa, Prefeito da cidade, que as recebeu com a maior cortesia; mostrou-se muito interessado pelo assunto.

No dia seguinte, foram à Matriz participar da Santa Missa e depois do café regressaram a Ponte D’Uchoa. O compromisso com a cidade da Vitória crescia nos desejos e planos, nos esforços e orações, a fim de que pudessem ver a missão de Madre Agathe Verhelle se estender e multiplicar.

Quinze dias após a primeira visita, Madre Loyola recebe uma carta do Sr. Trajano convidando-a para visitar a sua própria residência, a qual colocava à disposição da Madre para alugar ou comprar. Solicitava que voltasse à Vitória. A Madre não esperou um segundo convite, foi logo ver a casa.

Eram-lhe propostas duas casas grandes e bonitas que formariam o colégio. O Vigário entrega a Madre um envelope contendo uma doação deixada por uma ex-aluna do Colégio Damas, residente perto de Vitória, casada e com duas filhas que, para a alegria da mãe, seriam alunas internas. Outras ex-alunas do Damas imprimiram quinhentos cartões para serem distribuídos pedindo ajuda à sociedade para o início da missão das religiosas em Vitória de Santo Antão. Em agradecimento a Madre Loyola comprometeu-se a mandar celebrar mensalmente uma missa pelos “benfeitores”.

Os céus derramaram abundantes graças! Com as doações da comunidade foi providenciado todo o necessário para a Capela e material escolar.

O Sr. Arcebispo muito feliz com a notícia, prontificou-se imediatamente a celebrar a primeira Missa.

Viva Nossa Senhora da Graça!

A 17 de janeiro de1929 embarcavam as primeiras missionárias de Nossa Senhora, conduzidas por Madre Loyola, chegavam a Vitória Madre Elisabeth Dobblaere, Ir. Agostinha , Ir. Eufrásia, Ir. Elisa e quatro funcionários para ajudarem a preparar o local da nova fundação. Partiram também oito grandes caminhões com o mobiliário.

No dia 20 a Madre Loyola vai a Ponte D’Uchoa para buscar as Irmãs que faltavam, Madre Júlia, Madre Leopoldina e Ir. Henriqueta. No dia seguinte, a Madre Elisabete foi instalada Superiora da comunidade, Madre Júlia Correia, a diretora e cada Irmã recebeu seu cargo para o desempenho da Missão.

Na quinta-feira, a 27 de janeiro desse mesmo ano, o Sr. Arcebispo, acompanhado por três sacerdotes, chegou a pequena casa da Praça do Anjo – nome no momento- ao canto do Ecce Sacerdos, sendo recebido pelo Vigário da Paróquia, pela Me. Loyola e demais religiosas, e ainda, pelas autoridades locais.

A Capela estava totalmente repleta do povo da cidade. O Sr. Arcebispo ministrou a bênção da capela e em seguida, iniciou a Celebração Eucarística, solenemente cantada pelas religiosas. Na hora da consagração houve uma emoção bem sentida quando o Mestre e Senhor entrou na Sua casa, toda a cidade foi avisada pelos ruídos dos foguetes que alertavam: Ele está aqui! Ao final, houve a apresentação para o público presente das religiosas que formariam a nova comunidade sob a orientação da Superiora, Me. Elisabeth Dobbelaere.

Foi servido um delicioso café ao Sr. Arcebispo, que logo após entronizou o Sagrado Coração de Jesus no parlatório ao canto do Queremos Deus. O Sr. Arcebispo percorreu toda a casa e partiu muito satisfeito com a nova fundação que ora realizava.

A 1º de fevereiro começaram as aulas com trinta e cinco alunas matriculadas. A procura dia a dia crescia muito e as religiosas tiveram que alugar um outro espaço para poder atender aos novos pedidos de matrícula. O apoio da população era sensível. Deus abençoava visivelmente o Colégio Nossa Senhora da Graça. DEO GRATIAS!

Como Nossa Senhora da Graça cuidava bem de suas filhas privilegiadas! Sua imagem reproduzida por Madre Leocadie foi colocada numa bonita moldura e estava suspensa numa das paredes da capela com uma pequena lâmpada acesa em sua honra.

Em 1934 as religiosas tiveram que comprar um terreno para construir o prédio onde o colégio pudesse atender as inúmeras procuras. Encontrou-se um terreno na Rua Melo Verçosa, no centro da cidade, para aumentar a alegria do Con. Pitta que desejava que o colégio continuasse na área da sua paróquia, pois ele o considerava “a menina dos seus olhos”. Durante a construção as religiosas ocuparam a residência do Cônego Américo Pitta, pois não era possível continuar pagando aluguel.

A 14 de abril de 1936, segunda-feira de Páscoa, foi inaugurado o novo prédio do colégio à Rua Melo Verçosa. Havia apenas uma ala terminada, mas era possível funcionar. O restante foi sendo construído aos poucos sob a orientação do Engenheiro o Sr.Laurenz Leopold Nebl.

A população com grande regozijo acompanhou e ajudou na mudança para o novo prédio. O Côn. Pitta seguiu em procissão com o Ssmo. Sacramento cortejado pelo fiéis, enquanto as religiosas, alunas e professoras já esperavam em frente ao prédio.

O primeiro gesto ao chegar ao prédio foi colocar o Ssmo. Sacramento no sacrário para que Ele fosse o primeiro a ocupar a casa e dela tomar conta, como Senhor e dono de tudo; seguiu-se uma Missa Solene. Depois da bênção, Me. Loyola dirigiu os agradecimentos aos que tanto se dedicaram, lembrou mais uma vez a constante e valiosa colaboração da família Trajano; o interesse sem par do dedicado e zeloso Côn. Pitta. Salientou que o Instituto estava ali presente para realizar o maior desejo da sua Fundadora Me. Agathe Verhelle, de SACRIFICAR-NOS E CONSAGRAR-NOS INTEIRAMENTE À JUVENTUDE”.

É nesse espírito e com esse endereço, enfim, que ano após ano o Nossa Senhora da Graça vai cumprindo a sua missão de evangelizar e educar crianças, adolescentes e jovens. Conta com educadores impulsionados a REVELAR A FACE ATUAL DO CRISTO EDUCADOR, na alegria e ousadia, na competência e seriedade de uma educação direcionada ao bem, ao belo, à bondade, à vida, ao amor. Acredita numa educação que crê na capacidade do ser humano que se apóia na fé e na esperança de um mundo melhor, porque sempre voltada para o alto. DUC IN ALTUM!